Mais que escrever

A liberdade tem, sim, algo a ver com poder dizer tudo o que se pensa, mas é muito mais prazerosa quando diz-se somente o necessário, isso é ser livre do ego.

 

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.” – Poema Em Linha Reta, Álvaro de Campos

Por que compor, afinal? Por que Vincius de Moraes, Drummond? Por quê Fernando pessoa? Perdão, mas para que Olavo Bilac? Shakespeare, ainda vai… Deixassem tudo para a Homero! Afinal, não é nada disso. Não se escreve coisas novas, inéditas, mas coisas para o hoje, que insiste em não ser independente. A escrita é a independência do presente?

Desisti de escrever novidades, pois sou ignorante em tudo, mas sobre o que penso posso escrever exclusivamente. Mudo de ideia e me orgulho disso, pois, de modo otimista, penso estar progredindo, apesar de, por vezes, encontrar-me longe e desnorteada de mim.

Algumas pessoas não escrevem, mas fotografam. Algumas pessoas nem escrevem, nem fotografam, mas desenham, pintam. Outras ainda não escrevem, não fotografam, nem pintam, nem compõe, nem tocam, nem lutam por causas, nem creem e, não raro, não sentem ou pensam. Ter um talento não é necessário à felicidade do homem, mas contemplar alguma coisa bela, sim.

A contemplação exige pensar? Não sei, filosofa não sou, me preocupo em ser sincera e, se não digo a verdade, é porque a desconheço. Quando olho para uma flor, por mais breve que seja, me sinto bem. Não reflito sobre a beleza da flor, mesmo com suas características mais gritantes, apenas sinto o prazer de ver algo tão bonito.

Apaixonar-se é um quase como isso, pouco se pensa, pouco se planeja, pouco se vê e muito se sente. Para mim, a grande bem feitura das coisas está na ordem perfeita delas: o enamorar-se, as descobertas acertadas, o incomodo e o amor. Há muito mais coisas nessa sequência, quais poderia editar muitas vezes, reescrevê-las,  mas me contento em citar apenas tais itens, que partem da contemplação e devem permanecer nela para não tornar as relações efêmeras.

Se consigo dizer essas palavras, portanto, é porque estou ansiosa e pouco contemplo meus próprios pensamentos. Afinal, nesse brevissimo segundo que é a vida (Sta. Teresinha do Menino Jesus), Deus permitiu-nos sentir vivos por meio disso: a comunicação.

Obrigada por ler. Isso é tudo.

 

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