Quando descobri o fogo

 É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana. – Poema Da necessidade- Drummond

Ahhh! Quantas delícias nesta Terra e sinto que foram feitas só para o MEU deleite. O chocolate, o cinema, a música, o banho quente, o verde das folhas, as borboletas… Não tenho propósitos ao escrever esse primeiro parágrafo, a não ser transbordar o encantamento das coisas belas que estão ao meu alcance. Meu coração está pleno agora. Sou muito grata por sentir.

Há milhares de anos o homem já tentava compreender sua existência e a grande particularidade está em sermos milhares, versões limitas, e ao mesmo tempo progredimos em inteligência e conhecimento de mundo. Somos como os navegadores antigos com seus mapas de ”mundo conhecido”, mas, dessa vez, mais arrogantes, a ponto de pensarmos que tudo está muito claro, que agora, sim, tomamos as rédeas do futuro. Não precisamos falar em humanidade, uso um exemplo de uma unica pessoa que está no auge de sua carreira, em um alto cargo, com muitos subordinados e bens e descobre-se portador de uma doença fatal. Que exemplo pouco criativo, parece até um bordão. É mais como andar pela casa – a sua casa, tão confortável- e bater o dedinho num móvel. Grande surpresa do destino.

A beleza do ser-humano está justamente nisto: sua miserável essência que não o permite criar, apenas descobrir. Vejo dois grandes opostos muito tristes; o homem que acha que pode tudo e o homem que acha que não pode nada. As vezes, sou os dois. Arrogante, me sinto capaz de fazer amizades, de dar algum bom conselho, de preparar algo gostoso, mas, pessimista, sou incapaz de manter meu quarto arrumado, comer salada, aprender alemão. O pessimismo vem da falta de coragem de tomar uma decisão.

Faço, aqui, uma confissão de algo que muito me chama atenção nos meus pensamentos. Quando conheço alguém que não partilha de gostos em comum, soa-me muito enfadonho conviver com tal. A grande tolice está na falta de humildade de pensar que poderia, na verdade, aprender coisas novas e ter novos interesses e até mesmo saber o que não fazer (não me refiro a pessoas com comportamentos e hábitos que podem ser nocivos, mas tão somente desestimulantes). A falta de importância vem da minha inconsciente ideia de que tudo foi feito para MEU deleite, e que o que não condiz comigo, é errado ou descartável. Que pobreza de espírito!

Preciso, e quero, ler um discurso sem tentar achar erros, ouvir propostas sem colocar empecilhos e também o contrário, ouvir uma banda e não super-valorizá-la, aprender coisas novas sem pensar ter descoberto o mundo. e aceitar: Não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada. A parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo (Fernando Pessoa).

Obrigada por ler. Isso é tudo.

 

 

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