Vai

eis um mantra:
chega de imaginação.
se quando passa o rosto
desenhado por Deus a mão,
consigo ver através de seu vulto
a saudade que terei de nossos dias,
sinto que nada pode acontecer
porque já foi vivido
em milésimos
pela minha louca cabeça.

———————————

cobiço as suas mãos

que escrevem compulsivamente
cobiço as outras mãos
que tem permissão de te tocar
mesmo que efemeramente.

me deixaste com fome.
choro a noite, como criança
pedindo a comida solida
que é a certeza de ser alguém.

não hão de te condenar, doutorzinho
por deixares morrer uma pobre menina
pois seus remédios são venenos
que meu masoquista coração deseja.

sua poesia não é nojenta, é doce
é sensível como as mãos de uma criança.
mas imprevisíveis são as coisas que elas dizem
e decidistes brincar noutro lugar. vai.

 

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