Entre nós (um e o mundo)

Subitamente, mas perceptível, corre uma ideia na cabeça. Como um pequeno susto.

Sorrateiramente, sem compromisso com os sentidos, ela se apresenta como obra.

Quantas vezes pensar nessa fingida passante fez com que a ideia se materializasse

E como estando liberta, deixa-me só, com minhas antigas opiniões, com as marcas das dobras.

 

Acaso não sabem eles, os devaneios, que já não sou mais mesma que escrevia para registrar?

Pois agora sou outra, tenho um público vasto, críticos severos, sem amigos eufemistas,

Crueis leitores analisando minuciosamente cada movimento, daqui de dentro de mim

Olhando pelos meus olhos, desprezando com o meu desprezo, amassando meu rascunho que dos livros dista.

 

Se componho uma poesia e depois mudo de ideia, se ela passa a ser insciência

Alego a meus juizes interiores: objeção de consciência.

Minha linguagem é um código para meus olhos, no futuro, decifrarem o eu do passado

E não para fazer chorar as pessoas a quem os versos alcançam por ter sido veiculado.

 

Estarei pronta apenas quando eu souber compor uma poesia para minha mãe

Onde esteja sucinta e claramente escrito o quanto a amo e estou agradecida.

Hoje só sei escrever de forma abstrata, pintando telas com a boca

Exalando dúvida, deixando exposta minha ferida aberta: idiotice.

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