Perdão!

Eis uma verdade sufocante: a vergonha de ter amado sozinho.

Quando um relacionamento não dá certo, independentemente de quanto tempo durou, como era socialmente chamado, se podia ou não ter um futuro ou qualquer fator que interfira na aceitação da realidade, há coisas que rodeiam a imaginação e discretamente se infiltram até se tornarem medos, desejos, mágoa… A sensação de culpa é alimentada pela seletiva memória, que transforma as lembranças em provas de crime. Os amigos dizem que esse  é que não deu certo, a mãe explica como há muitas outras pessoas no mundo e até parece que o pensamento vai ficando menorzinho e as vezes chega-se a achar que não houve um culpado, que não era pra ser e todo o discurso de aceitação que faz parte do script.

O dolorido, mesmo, é quando, lembrando de certos momentos, de certas ocasioes, agora sem a cegueira da paixão, pensa-se: amei sozinho! Naquele dia não foi a outra parte que me ligou. Naquela vez fui eu quem convidei! Eu chamei, eu insisti, eu pedi desculpas. Dizendo assim até parece autocondescendência, mas sentir-se um bobo da corte no relacionamento é uma morte para a alma e uma dor física. E com ela vem a crise de identidade, de aceitação, de ”por que sou assim?”. Todas as pessoas, com suas limitações, defeitos, maldade, medos, quaisquer que sejam as deformidades, são passíveis de serem amadas. Ninguém merece amor, mas até o mais cruel dos homens é amável, pois isso depende somente de quem ama, sem mérito algum para quem é amado.

Infelizmente, a raiva, a insatisfação, a  indignação e a saudade permitem enxergar apenas o que convém. É muito possível que se tenha amado mais, que a outra pessoa não tenha tido as mesmas intenções, os mesmos interesses, que as experiências vividas não tenham sido iguais em intensidade para as duas partes. Acontece que gostar ou se esforçar mais não devia ser motivo de vergonha, pelo contrário. Uma mulher muito inteligente, que costumo chamar de mãe, diz que amar nunca é muito, é sempre bastante.

Se existe algum problema em ter se doado sinceramente para outra pessoa, pode ser que as coisas tenham ido rápido demais, que o prazer não estivesse no sentimento de amor, mas na sensação de ser amado. Aí, sim, o sofrimento faz sentido. Amar é um caminho e se a outra pessoa não quer trilhá-lo, pode-se fazer uma poesia, compor uma canção, chorar as pitangas assistindo um romance bem meloso e sem sentido, sair pra dançar, muitas coisas, exceto repetir como fosse a resposta para todas as dores: ”ele(a) nem gostava de mim!! como fui idiota! nunca vou amar de novo”. Evita o constrangimento interior que virá quando outra pessoa aparecer e fazer com que todas as promessas não passem de rateio.

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