Lampejo

A autoestima é baseada na comparação e por isso a devastadora maioria das pessoas se sente inferior a alguém, transformando tal sensação em desavença ou admiração irracional. Desde os mais fúteis critérios como aparência, fama, status, condição financeira, postura, talento, estilo de vida, a cada dia mais e mais pessoas tomam a decisão de se transformarem em alguém que elas mesmas pudessem invejar. Há toda uma geração embebecida por ideais de ídolos questionáveis.

Porém não é especificamente sobre a minha geração que pretendo refletir, pois ser reconhecido é uma qualidade admirável em qualquer período da história. A ideia é principalmente analisar o que realmente deve-se gostar em si. Para mim, a chamada autoestima não está absolutamente nada relacionada com gostar do que é visto no espelho e muito menos com ter ou não amigos para ir a festas aos finais de semana ou receber muitos elogios. Tais critério são falhos, e exemplifico: a mulher que sente bonita e realizada com o proprio corpo quando se compara com as mulheres com quem convive, pode ter sua satisfação cessada quando alguém a quem respeita faz-lhe uma critica sobre sua aparencia. Receber elogios é uma faca de dois gumes pois dependendo de quem vem, se torna uma critica. Há falhas em todos os tipos de satisfação pessoal que se baseiam na matéria.

Se nos olharmos do ponto de vista social, transformaremos uns aos outros em instintivos animais que se utilizarão de qualquer meio para alcançar o que desejam, que não medirão esforços para serem o tipo de pessoas que acreditam que devem ser. Pior que não ter um objetivo é ter um objetivo inútil.

Quando a medida para a admiração for o quanto de Verdade o sujeito pode reconhecer, aí então a verdadeira guerra começará, mas não haverá feridos. Ora, se me espelho no outro porque percebo que ele alcançou virtudes e é esclarecido em assuntos que me faltam, ao invés de rebaixar-me e aprovar-me menos por não saber tanto quanto ele, quererei aprender o caminho que ele fez . Portanto as hierarquias sociais serão formadas por escadas de verdadeiros atributos. Relevantes, belos, morais. Por outro lado a soberba também não terá vez porque esse homem que já não vê a si como inferior não pode desprezar a outros menos cultos, pois sente prazer em ensiná-los.

É preciso, então, abandonar o campo material dos bens, das posses, e assumir-se a si como miserável, como pó, mas entender de que substância é feita essa miséria e sentir-se feliz por entendê-la. Essa, sim, é a verdadeira autoestima.

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