Atrás da porteira

Descobri um pequeno caminho para dentro de mim. Apesar do romantismo que essa frase sugere, o seguinte ensaio tratará de uma coisa que eu mesma não acreditava que fosse tão real, mesmo que impalpável: a assiduidade.

Prefiro textos impessoais, mas dessa vez não vai ter jeito! No próximo mês de novembro completo dezoito anos e, entre outras coisas, tenho refletido sobre o modo como aproveitei e tenho aproveitado -ou vivido- a minha adolescência. Identifiquei alguns ciclos de humor, falhas, melhoras, amadurecimento e, como não podia deixar de ser, algumas coisas que se perderam. Notei, principalmente, a misericórdia de Deus para com minha miséria e dificuldades. Porém, a mais importante das minhas observações foi desemaranhar a confusão que me é, ser constante nas coisas que preciso ou que me proponho a fazer. Dito isso, posso retomar ao plano “reflexões gerais” e sair do “pessoal”.

Quando pensa-se em rotina, logo vem à cabeça a imagem do trabalhador infeliz que sai todos dias no mesmo horário para fazer as coisas que detesta. O medo de tornar-se um escravo de uma roda gigante que alguém denominou “sistema” – palavra ainda muito abstrata para mim- domina então o pensamento e transforma o modo com que todas as coisas são feitas. Consciente ou inconscientemente. Seja estudar, trabalhar, rezar ou divertir-se, ter um padrão para fazer as coisas soa, para alguns,  como sinônimo de vender a sua essência a uma entidade maior. E então fizeram músicas, filmes, difundiram toda uma cultura de revolta a essa engrenagem da rotina, cultura de cara muito atraente, porém insustentável.

Percebo, por mim e por outros, que é natural uma ordem para fazer as coisas que se tem que fazer. Uma organização de tempo, de energia, de satisfação… Não me refiro só às obrigações do dia a dia, mas a qualquer coisa que necessite de um pouco de tempo para acontecer. Seja para estudar, seja para trabalhar, seja para limpar a casa, se alimentar, se comunicar…  existe um processo e ele precisa ser respeitado para que haja qualidade. Cada pessoa possui suas particularidades, suas preferências na maneira de executar as obrigações, mas, de alguma maneira, elas precisam ser executadas. É necessário que se aproveite bem o dia e isso exige que tudo que tem que ser feito, seja bem feito e não o contrário, que é pensar em uma maneira de escapar ou mudar os afazeres.

O caminho a qual me referi, do autoconhecimento, mesmo que minimamente caminhado, já mostrou-me que eu estava errada em relação a mim mesma quando pensei que precisava ”inovar” o quanto me fosse possível. Inovar, a palavra do século. E que palavrinha falsa… É muito mais prazeroso concluir com exito uma só obrigação que ter dez delas feitas pela metade. Valorosa, muito valorosa reflexão que Deus me permitiu fazer para viver melhor.

 

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