Assertividade

Passar em frente o fórum municipal quase que diariamente não é o suficiente para decifrar o que está escrito no letreiro do prédio, onde deduz-se que a primeira palavra seja, justamente, “Fórum”. Tamanho descaso leva à seguinte reflexão sobre o que hoje chama-se arte moderna: desde as piadinhas com o sucesso das obras de Romero Brito até as poesias, para não ofender, compostas por duas palavras juntas e separadas, não há quem se possa culpar da Semana de Arte Moderna até aqui.

Devem ter achado engraçado a desconstrução da métrica, a falta de rima, as pinturas embaralhadas e o escambau, mas o que é a arte, afinal, se não a transmissão de uma mensagem? Claro, não necessariamente óbvia, mas a premissa da criação é  tocar o outro com uma criação. Mesmo uma obra que não tenha um objetivo claro, tem por si só a função de passar algo do autor ao observador. Aí é que mora o problema: quando a tal mensagem não tem relevância nenhuma, não causa sensação.

É difícil imaginar que o mesmo homem que fez mármore parecer véu mais do que o próprio véu, é o homem que escreve o nome de um prédio público de maneira ilegível porque as letras têm formas “modernas”.

No fim, o mais alto grau de modernismo que alcançaremos será nos transformarmos em animais irracionais e renunciar a nossa inteligencia. Pena que não haverá plateia.

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