Louça

Marília tinha um problema de nascença mas ninguém percebeu antes dela, aos 15. Muito sensível como era, amava demais. Sofria a pobrezinha pois a ninguém queria ela machucar, era desconhecida para si por tanto pensar primeiro nas necessidades dos que a rodeavam que nas suas próprias. Eram tão sutis e naturais os cuidados que tinha para com todos que mesmo a mãe nunca reparara nos nãos que a filha não dizia.
Podia amar até mesmo os que não conhecia. Houve uma noite em que não dormiu por ter visto na TV um acidente trágico com carros. Lamentava como se fosse a de seu próprio pai a morte do motorista.
Sua decepção com os que amava, porém, era tão sincera e profunda que foi retribuída com algo que foge da natureza humana. Quando Marília estava muito triste e não tinha quem lhe acolhesse, podia voltar a algum dia do passado, onde conversava com um antigo amigo ou um inesquecível amor. Sentava-se então na pracinha e chorava as pitangas àqueles que ela sabia que a haviam de deixar. Pra onde iria ela, se assim não fosse? Os amores que a menina tinha não eram como uma peça, uma mancha, um móvel, eram pedaços da carne do seu coração.

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