Coma

Passou na frente da janela
Onde apoiada eu fitava o como
Um sujeito com flor na lapela
E achei por bem arrancar-lhe um gomo
Do limão da experiencia
Azedo em sua expressão.

Expus-lhe assim a situação:
“Sinto-me suja e só
Onde quer que eu caminhe
Correm meus olhos e dão-se um nó
Procurando quem adivinhe
As petalas e os espinhos de mim.”

Pensando que aí fosse o fim
Tomou ar e tentou responder
Continuei, porém, a questão:
“Não se pode seguramente saber
Quem é certo e quem não?
Uma vida inteira é pouco.”

Tossiu, mostrou-se rouco
E depois de sua face adoçada
Lembrando ser viuvo
Não conseguiu dizer nada.
Ali estava a resposta.

De segura, faria uma aposta
Da verdade que me encontrou
Não é preciso indagar!
Depois que o amor encarou
Só sabe olhar.

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