Mama

Mataram um bichinho na parede e ficou ali uma marca da nojice. Osma disse que acharia quem foi para que limpasse sob juramento divino e até a hora que a sessão choração de pitangas começou ninguém havia se pronunciado. Quando Valeria entrou no quarto de cara fechada, todas já sabiam que era por causa do rapaz que ela havia conhecido há algumas semanas na festa de aniversário de uma das amigas. Mesmo tendo sido avisada que aquele não era rapaz que se namorasse, insistiu em sair com ele mais de três vezes e descobriu sem querer uma viagem programada por ele e sem data de retorno. Se a enxerida não tivesse sabido, teria sofrido de saudade e não de enganada.
Já Luma, a unica menina que não compartilhava suas roupas por serem quase de tamanho infantil, não dizia quase nada até que o pino da granada foi tirado. Enquanto o quarto empenhou-se em consolar Valeria contando causos engraçados e falando sobre outros garotos com quem ela poderia sair, Luma como num pulo encontrou uma frequencia em sua garganta e transmitiu com muita clareza -talvez pela repetição- a agonia causada pela falta de coragem de aceitar ir ao cinema com o filho-do-padeiro. Como fosse um vírus, as garotas começaram a se lamentar por suas vidas amorosas. Até mesmo Lilian, namorada de Junior havia muitos anos. A unica sensata era Maria, paciente como só ela podia, morreu aos vinte e um de tuberculose. Pena, pois deve ter sido ela a sujar parede, que nunca foi limpa.

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