Velas

Meu coração em carne viva

Arde como em chamas

E alivia quando molhado pela saliva

Acumulada dos beijos que jamais te darei.
Sinto minha boca como morta, gelada

Incapaz de ultrapassar a distância entre dois

E os meus olhos doem querendo ver o Sol da madrugada

Refletido na sua pele fresca.
Escrevem-se sozinhas as palavras que deixo escapar

Desesperadas para tocarem seus calos

E furiosas por saberem que há tantos rostos para você acariciar

Todos eles com tanta candura ou malícia.
A cor zinza de seu uniforme impregnou

Os prédios, a rua, os passantes e o céu

Tudo tem a mesma cor murcha e comum

Exceto teus olhos 
Agora não há mais, sou só eu comigo

O peso de minhas ideias e planos

Os papeis rubricados com meu nome

As preocupações que encontram meu sono
A corda das incertezas em meu pescoço

E agora não ha você para segurar minhas canelas

Tive que tirar as pontas dos dedos de seu rosto

Para afrouxar o nó que me asfixia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s